A SEB

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Fachada da SEB

Fundada em 13 de setembro de 1859, a Sociedade Espanhola de Beneficência nasceu com nobres ideais. Formada por imigrantes espanhóis (comerciantes e representantes de órgãos espanhóis no Brasil), tinha por objetivo minimizar os problemas da saúde pública local, carente então de hospitais e organizações médicas capazes de atender à população da cidade do Rio de Janeiro.

A Sociedade Espanhola de Beneficência (SEB) tem tido seu nome atrelado ao auxílio prestado aos imigrantes espanhóis em questões pontuais, sobretudo relativas ao amparo médico-hospitalar. Entretanto, sua origem conta uma história ainda mais significativa e emblemática, em que a SEB funcionou como centro de preservação da cultura hispânica no Rio de Janeiro em uma esfera oficial de representação.

Papel Social e Cultural

Na qualidade de entidade filantrópica, teve sua missão beneficente reconhecida pelo próprio Imperador Dom Pedro II, que, através do Decreto Imperial nº 2564, de 24 de maio de 1860, aprovou seu primeiro Estatuto Social. Com o advento da República e o aumento do fluxo migratório de europeus para o Brasil, nas primeiras décadas do século XX, a Sociedade e seu Hospital, cuja sede data de 1928, ganharam novos e importantes compromissos sociais em favor da qualidade de vida.

Desde seu nascimento, a SEB assumiu como razão de sua existência a necessidade de congregar os imigrantes espanhóis em torno de uma instituição que lhes garantisse a sobrevivência de sua cultura longe de sua Pátria, isto é, a superação das adversidades que costumam advir do encontro entre modos de ser e viver distintos. Para viabilizar tal empreitada, a SEB esforçou-se ano após ano, por meio do comprometimento com esse ideal de suas Juntas Directivas, as quais lutaram pela aprovação do seu Estatuto em 1861 e pela aquisição de um terreno para construção de uma sede própria – para reuniões e guarda de sua documentação – em 1901. Ambas as iniciativas estavam em consonância com a vontade desses empreendedores de adentrar pela esfera político-social da cidade do Rio de Janeiro para angariar prestígio e reconhecimento suficientes que pudessem garantir visibilidade à colônia espanhola na composição da sociedade. E essa luta não foi em vão, pois a SEB encontrou seu lugar e cumpriu o seu papel, firmando-se como instituição não só assistencialista, mas também representativa dos espanhóis.

Sob esse espírito, a SEB acolheu o máximo possível de solicitações, sendo a mais freqüente o atendimento médico acompanhado de internação. Contudo, a SEB também esteve junto dos espanhóis em outras ocasiões, ao prestar auxílio em viagens, funerais e acompanhamentos legais de processos, bem como no amparo àqueles com dificuldades que chegavam ao Rio ou que estavam em qualquer cidade do Brasil ou em país do exterior. Além disso, como a SEB buscou preservar os costumes hispânicos ao passo que também promovia e facilitava o contato entre brasileiros e espanhóis, ela contribuiu no que pôde com necessidades prementes da sociedade brasileira como um todo, por meio do amparo às vítimas da seca no Nordeste em períodos de crise e do combate à febre amarela nas epidemias que acometeram a cidade do Rio de Janeiro no final do século XIX e início do XX. E isso tudo foi possível por meio da contribuição de seus associados e dos inúmeros eventos promovidos para reunião de fundos visando tais ações.

Criação do Hospital

A partir de 1912, ganharam amplitude idéias a respeito da criação de um hospital. Como já dito, a atuação da SEB, embora decisiva, era muito dispersa e possuía um caráter emergencial. Por esse motivo, a sua Diretoria, estimulada pelas aspirações da colônia que desejava intensamente a fundação de uma instituição com esse caráter médico-hospitalar, começou a pensar com mais afinco a respeito de transformar essa interferência pontual numa rotina que cuidasse da saúde do associado desde a prevenção até o atendimento de emergência caso fosse necessário. Assim, em 1928, foi inaugurado, depois de uma série de impasses sobre sua localização, o Hospital Espanhol, sediado onde era a Casa de Saúde Criciúma.

Estrutura Organizacional

Atualmente, a SEB é dirigida por uma diretoria, composta por 12 membros titulares e 5 suplentes, e por um conselho fiscal, composto por 5 membros titulares e 3 suplentes, ambos ligados ao Conselho Deliberativo, com 50 membros titulares e 25 membros suplentes, o qual é eleito pela Assembléia Geral, órgão soberano da instituição. Com essa composição, a Sociedade Espanhola de Beneficência guarda a missão do passado de democratizar o acesso à Medicina de Primeiro Mundo ao maior número possível de cidadãos, sejam eles brasileiros ou não.